quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

. O mito de Prometeu




O Céu e Terra já estavam criados. A parte ígnea, mais leve, tinha-se espalhado e formado o firmamento. O ar colocou-se de seguida. A terra, como era mais pesada, ficou por baixo e a água ocupou o ponto inferior, fazendo flutuar a terra. Neste mundo assim criado, habitavam as plantas e os animais. Mas faltava a criatura na qual pudesse habitar o espírito divino.

Foi então que chegou à terra o Titã Prometeu, descendente da antiga raça de deuses destronada por Zeus. O gigante sabia que na terra estava adormecida a semente dos céus. Por isso apanhou um bocado de argila e molhou-a com um pouco de água de um rio. Com essa matéria fez o homem, à semelhança dos deuses, para que fosse o senhor da terra. Tirou das almas dos animais características boas e más, animando assim a sua criatura. E Atena, deusa da sabedoria, admirou a criação do filho dos Titãs e insuflou naquela imagem de argila o espírito com o sopro divino.

Foi assim que surgiram os primeiros seres humanos, que logo povoaram a terra. Mas faltavam-lhes conhecimentos sobre os assuntos da terra e do céu. Vagueavam sem saber a arte da construção, da agricultura, da filosofia. Não sabiam caçar ou pescar - e nada sabiam sobre a sua origem divina.

Prometeu aproximou-se e ensinou às suas criaturas todos esses segredos. Inventou o arado para o homem poder plantar, a cunhagem das moedas para que houvesse o comércio, a escrita e a extracção do minério. Ensinou-lhes a arte da profecia e da astronomia, enfim todas as artes necessárias ao desenvolvimento da humanidade.

No entanto faltava-lhes ainda um último dom para se puderem manter vivos - o fogo. Este dom, entretanto, havia sido negado à humanidade pelo grande Zeus. Porém, Prometeu apanhou um caule do nártex, aproximou-se da carruagem de Febo (o Sol) e incendiou o caule. Com esta tocha, Prometeu entregou o fogo para a humanidade, o que lhe dava a possibilidade de dominar o mundo e os seus habitantes.

Zeus, porém, irritou-se ao ver que o homem possuíra o fogo e que a sua vontade tinha sido contrariada. Por isso tramou no Olimpo a sua vingança. Mandou que Hefesto fizesse uma estátua de uma linda donzela, a que chamou Pandora - "a que possui todos os dons",(uma vez que cada um dos deuses deu à donzela um dom). Afrodite deu-lhe a beleza, Hermes o dom da fala, Apólo, a música. Vários outros encantos foram consedidos à criatura pelos deuses.

Zeus pediu ainda que cada imortal reservasse um malefício para a humanidade. Esses presentes maléficos foram guardados numa caixa, que a donzela levava nas mãos. Pandora, então, desceu à terra, conduzida por Hermes, e aproximou-se de Epimeteu - "o que pensa depois", o irmão de Prometeu - "aquele que pensa antes" e diante dele abriu a tampa do presente de Zeus. Foi então que a humanidade, que até aquele momento havia habitado num mundo sem doenças ou sofrimentos, se viu assaltada por inúmeros malefícios. Pandora tornou a fechar a caixa rapidamente, antes que o único benefício que havia na caixa escapasse - a esperança.

Zeus dirigiu então a sua fúria contra o próprio Prometeu, mandando que Hefesto e seus serviçais Crato e Bia (o poder e a violência) acorrentassem o Titã a um penhasco do monte Cáucaso. Mandou ainda uma águia devorar diariamente o fígado de Prometeu que, por ser ele um Titã, se regenerava. O seu sofrimento durou por inúmeras eras, até que Hércules passou por ele e viu o seu sofrimento. Abateu a gigantesca águia com uma flecha certeira e libertou o cativo das suas correntes. Entretanto, para que a vontade de Zeus fosse cumprida, o gigante passou a usar um anel com uma pedra retirada do monte. Assim, Zeus sempre poderia afirmar que Prometeu se mantinha preso ao Cáucaso.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

. História da escrita: o papel da imprensa

Com os sistemas de escrita relativamente definidos e a questão do suporte universalizada estão reunidas as condições para o registo em forma de livro tal como o conhecemos hoje. Um processo obviamente lento e numa escala muito reduzida, uma vez que era feito manualmente e por especialistas, que não abundavam. E isto durante muito tempo, até ao século XV, quando Gutenberg operou uma verdadeira revolução na história da divulgação do conhecimento, até então adstrito a uma elite. Falamos, pois claro, da invenção da imprensa, um dos inventos mais importantes da humanidade. Para mais detalhes sobre a relevância do momento, terá de ser tu mesmo a investigar. Entretanto, deixamos-te um vídeo inspirador:

. Papel - processo de fabricação -

.O papel




A palavra papel é originária do latim "papyrus", nome dado ao vegetal a partir do qual os egípcios, há 2400 anos, fabricavam o papiro cuja história já conheces. No entanto, foram os chineses os primeiros a fabricarem o papel tal como o conhecemos hoje, por volta do século VI a.C.: um papel de seda branco próprio para pintura e para escrita. O papel produzido após a proclamação da invenção apenas se diferencia deste pela matéria prima utilizada.

O primeiro papel que se conhece é atribuído a T'sai Lun, um oficial da Corte Imperial Chinesa (150 d.C.), que recorreu à polpação de redes de pesca e de trapos, para mais tarde recorrer ao uso de vegetais. Esta técnica foi mantida em segredo pelos chineses durante quase 600 anos. O uso do papel estendeu-se até os confins do Império Chinês, acompanhando as rotas comerciais das grandes caravanas. Até então, a difusão da fabricação do papel foi lenta.


Em 751 (d.C), quando os árabes, instalados em Samarkanda, grande entreposto das caravanas provinientes da China, aprisionaram 2 chineses que conheciam a arte do papel e a trocaram pela sua liberdade, dá-se o fim do monopólio chinês e o início da produção de papel em Bagdá (795 d.C.). Uma produção que viria a expandir-se ao mesmo ritmo da expansão muçulmana ao longo da costa norte da África até a Península Ibérica. Daí que os primeiros moinhos papeleiros europeus tivessem aparecido em Espanha, em Xativa e Toledo (1085).


A partir daí, o papel foi introduzido em Itália, via Sicília e Palestina, até chegar a França, em 1184, e a outros paises que começaram a estabelecer as suas manufaturas nacionais. Para se mundializar, com a sua chegada às Américas, muito mais tarde, por intermédio das potências colonizadoras.

Entretanto, e no que diz respeito ao processo de fabricação propriamente dito, no fim do século XVI, os holandeses inventaram uma máquina que permitia desfazer trapos desintegrando-os até o estado de fibra. O uso dessa máquina, que passou a chamar-se "holandesa", foi-se propagando e chegou até os nossos dias sem que os sucessivos aperfeiçoamentos tenham modificado a ideia original. Uma evolução que conhece um ponto de viragem fundamental em finais do século XVIII e princípios do século XIX, quando a indústria do papel passa a poder contar com máquinas de produção contínua e com o uso de pastas de madeira.

domingo, 6 de novembro de 2011

. Outros sistemas de escrita: China, Japão, Índia e México

Para lá dos esforços no médio oriente que temos vindo a estudar, mas seus contemporâneos, temos outros sitemas de escrita não alfabética que permaneceram desconhecidos por muito tempo devido ao isolamento das regiões de onde são originais. Falamos da China, do Japão, da Índia e, este muito mais tarde, das regiões que coincidem hoje com o sul do México.


A escrita chinesa surge no século XIV antes de Cristo, em Anyang, província de Henan. Conta com 49.905 símbolos, dos quais 3 mil são de uso habitual. O sentido de leitura, originalmente vertical, é desde o século XX horizontal, da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita. O seu funcionamento é ideofonográfico - combina ideogramas, fonogramas e grafemas - e é usado pelas línguas chinesa, japonesa e coreana.



O sistema japonês baseia-se em símbolos silábicos, os kana, geralmente apresentados sob a forma de uma tabela de cinquenta sons, onde figuram as cinco vogais do japonês e suas combinações com sete consoantes. Para cada sílaba vê-se o hiragana em primeiro lugar e só depois o katakana. O hiragana é indispensável para formar os elementos gramaticais e indicar a pronúncia japonesa dos caracteres chineses. O outro, katakana, serve para transcrever as palavras de origem estrangeira. Não se usam espaços entre as palavras, mas o contraste entre caracteres silábicos e chineses funciona para facilitar a leitura. A história da escrita japonesa, de sistema misto, é exemplar, porque mostra como a evolução dos caracteres está ligada à história da sociedade. A evolução desse sistema continua em curso, com a sua adaptação ao uso informático. O sentido de leitura é vertical, da direita para a esquerda, para a literatura e imprensa; e horizontal, da esquerda para a direita, para textos oficiais ou científicos.



Embora não se saiba quando surgiu, o sistema indiano - Brhami silábico - foi descoberto em 250 d.c.. É composto por 39 símbolos principais - vogais e consoantes isoladas - e símbolos para as ligações entre os primeiros. É a base de muitos subsistemas indianos atuais, como o Hindi.



A escrita nahuatl, asteca, surge no século XIII no Vale do México. O número de símbolos ainda não está quantificado. Apenas se sabe que era um sistema não alfabético utilizado por vários povos pré-colombianos e que se lia em todos os sentidos. Desapareceu em 1521, com a chegada dos Espanhois e só começou a ser sistematizada há quatro décadas.

sábado, 29 de outubro de 2011

. A biblioteca de Alexandria

A palavra biblioteca surge por referência a Byblo, a cidade fenícia onde se comprava o papiro. Os gregos chamavam byblo ao papiro, e byblias aos rolos de madeira em que eram conservados os papiros escritos. Mais tarde, surgem as casas onde se guardavam as byblias, as bibliotecas. Por ter sido a mais importante no início da chamada civilização ocidental, fica um vídeo sobre a biblioteca de Alexandria.


. A História da Escrita: os alfabetos




Paralelamente à questão do suporte está a escrita propriamente dita, um sistema de representação simbólica que tem origem nos primeiros pictogramas, representações de formas concretas, passando pelos ideogramas, representações de ideias, até às palavras e à escrita alfabética em que cada letra representa um som.
Muito embora não se conheça uma data precisa, existem vestígios de que as primeiras tentativas para criar uma nova forma de escrever, mais rápida e fácil de aprender, tenham ocorrido entre o povo de Ugarit (Síria), que desenvolveu um alfabeto composto por vinte e cinco a trinta signos cuneiformes, e uma população da costa sírio-palestina, os fenícios, que compôs um alfabeto com vinte e duas letras. Por onde quer que os Fenícios fossem, por razões comerciais, levavam consigo esta nova invenção, que acelerou todo o processo de criação dos sistemas de escrita. Deste modo, diferentes povos criaram para si, em conformidade com as suas próprias línguas, novos alfabetos. Assim nasceu uma complexa família de alfabetos, de entre os quais se destacam o alfabeto etrusco, o cirílico, a escrita hebraica e a aramaica:
. o alfabeto etrusco do século VIII, composto por vinte letras era semelhante a um alfabeto grego primitivo utilizado pelos Dórios da Sicília.
. o alfabeto cirílico, do século X d. C., é uma adaptação do antigo alfabeto grego e foi adotado pelos povos eslavos da Rússia, Bulgária e Sérvia. As primeiras quarenta e três letras derivavam de combinações entre o hebraico e o grego do tempo de S. Cirilo (827-869).
. a escrita quadrangular hebraica, base da escrita da cultura judaica, é composta por vinte e duas letras que se inscrevem numa moldura retangular invisível, da direita para a esquerda.
. o aramaico, a língua de cristo de onde derivaram uma série de escritas diversificadas, como a escrita arábica dos pastores nômadas da Península Arábica, assentava num alfabeto composto por vinte e nove letras.